Latina Feminista: 8M do outro lado do mundo.

Hoje marchamos como Latina Feminista ao lado de outros grupos de mulheres aqui na Austrália: trabalhadoras sexuais, trans, lésbicas sapatões, negras, aborígenes, gordas e feministas islâmicas. Foi uma experiência única escutá-las e ocupar juntas o espaço público neste país tão branco, racista e despolitizado.

A maioria das minhas amigas e companheiras latinas não está nessa foto porque hoje elas não puderam parar. Sustentar a vida na Austrália é um privilégio de raça e classe. Como latinas, embora sendo privilegiadas em nossos países, aqui, antes de tudo, somos migrantes e trabalhamos em condições precárias. Nós fazemos os trabalhos que os australianos não querem fazer. Nós limpamos, somos temporárias em campos isolados e nos “melhores casos” somos empregadas domésticas e cuidadoras.

Nós suportamos a precariedade (legal e assimilada) para viver experiências no exterior, apostando por uma melhor retribuição ao voltar pra casa. Outras de nós porque nossas famílias precisam do dinheiro ou porque aqui a vida é mais aceitável do que as realidades que enfrentamos em nossos países. E sim, somos também aquelas que, movidas por um profundo desejo nômade, acreditamos que a vida vai estar sempre em outro lugar.

Hoje marchamos pelas migrantes latinas aqui e em qualquer lugar do mundo. Porque temos visto de longe nossas amigas feministas transbordar as ruas de nossas cidades natais. Aqui estamos: presentes, nos visibilizando e lembrando as feministas latinas que deram e perderam suas vidas.

Aqui estamos nós, construindo feminismo sudaca do outro lado do mundo.

#latinafeminista #8M #IWD #feminismosudaca #feminismolatinoamericano #mariellefranco

traducción al portugués por Luciana Oliveira (Latina Feminista) y Oriana Miranda (Vaginas Ilustradas) a partir del texto original de Leslie T. Fernández.

imagen: Green Left Weekly (Australia)

Agregar un comentario

Su dirección de correo no se hará público. Los campos requeridos están marcados *